...Estrutura Viária…
O desenvolvimento da freguesia de Fafe terá sido
determinado pela existência de uma documentada via medieval que ligava
Guimarães a Cavês, marcada pelas pontes românicas, no lugar de Bouças, e da
Ranha, no lugar com o mesmo nome, em Fafe.
Esta via foi um dos mais importantes trajectos
durante o império Romano. Bastante seguido era, também, o caminho que ia por
Guimarães, Cavês, Valpaços e Bragança. No quadro dos itinerários, tinha menos
vulto o que ia de Braga a Chaves e daí a Bragança, do que o que passava por
Fafe.
O trajecto seguia nas proximidades do Castro
romanizado de Santo Ovídio, situado na freguesia de Fafe e do Castro da
Subidade, este já na freguesia de São Gens, com evidente serventia para o
Império Romano.
Este sentido de ligação do litoral ao interior
manteve-se até aos nosso dias, tendo na Idade Média significado especial, no
contexto dos itinerários das peregrinações. A sua função revelou-se fundamental
na ligação do Litoral ao Interior e de Portugal às Terras de Espanha.
As vias medievais eram ainda os caminhos que
ligavam as povoações, vilas e cidades, o que justifica a localização de outras
vias românicas assinaladas pelas pontes do Barroco, em Golães; do Lombo, em
Antime; da Ranha em Fafe.
Ao mesmo tempo, muitos daqueles locais foram centros
de peregrinação e, dada a localização de Fafe, por aqui se faria a passagem
obrigatória de almocreves, viajantes, peregrinos, mercadores e feirantes.
Esta via é referida como o local onde se
encontrava, no lugar de Bouças, uma gafaria «muito nomeada nos meados do
século XIII».[6] No mesmo lugar, existe uma capela da segunda metade do Século XVIII,
votiva de Santo André.
As fachadas da Capela de Santo André e das alminhas
do Senhor do Bonfim, datadas de 1778 e localizadas no mesmo trajecto, anunciam
o que veio a ser a fachada da Igreja Matriz, construída em 1779.
Situada exactamente no termo da Monte Longo e
Guimarães, precisamente junto à ponte de Bouças, a gafaria permitia aos
leprosos sustentar-se das esmolas dos peregrinos que se dirigiam so Santuário
de Nossa Senhora da Oliveira. Relembremos que D. João I, em 1385, após a
vitória sobre os Castelhanos, em Aljubarrota, veio em peregrinação a Santa
Maria da Oliveira.
A especial localização da freguesia de Santa
Eulália Antiga de Fafe, no que foi o contexto geo-espacial da Idade Média,
determinou, naturalmente, para esta localidade, uma progressiva importância,
dado que um elevado número de mosteiros tinha assento nas suas proximidades:
São Gens de Montelongo (século XI), Santa Maria de Antime (1120), Mosteiro de
Várzea Cova (1131), São Salvador de Fonte Arcada (século XI), São João Baptista
de Arnoia (1176), Santa Maria de Pombeiro (1059), São Miguel de Refojos de
Basto (1131), São Salvador de Roças (século XI), Mosteiro de Guimarães (957),
Santa Maria da Oliveira (1033), São Pedro de Cerzedelo (Lanhoso) (1059), São
Martinho de Caramos (1090), Santa Marinha da Costa (século XI), São Torcato
(1052). [7]
Estas importantes congregações religiosas, sendo
possuidoras de uma grandiosa população residente, eram também Senhores de
grande número de propriedades.
Ao mesmo tempo, muito destes locais eram centros de
peregrinação, pelo que, tudo conjugado, Fafe se tornava um local obrigatório de
passagem de pessoas e mercadorias.
Por isso, este local ganha, com o tempo, um valor
de registo, nomeadamente a construção de pontes medievais ou dos inícios da
Idade Moderna.
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