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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

ENDOGAMIA

 

Endogamia é o regime segundo o qual o indivíduo se casa exclusivamente com membros de sua própria tribo ou classe, para conservação de raça ou nobreza e que implica um sistema de castas. O termo é usado, também, para classificar a tendência na escolha do cônjuge entre componentes do mesmo grupo social, religioso ou geográfico que constitui um isolado, em geral de tamanho limitado. O regime ou tendência opostos constituem a exogamia. Casamentos mistos são os que se realizam entre pessoas de diferentes nacionalidades, raças, religiões etc. Quando os cônjuges possuem características sociais, físicas ou mentais comuns, dá-se a homogamia e, no caso contrário, a heterogamia.

         Cito o texto de Manolo Florentino e de Cacilda Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro:

         " Em função da longevidade e de sua importância em termos quantitativos, desde há muito a historiografia acentua que a exogamia matrimonial dos lusitanos no Brasil foi fundamental para desencadear o fenómeno da miscigenação entre nós. Tais afirmações recentemente foram reforçadas pelos resultados de um estudo genético com o DNA de brasileiros brancos, o qual revelou que a grande maioria das linhagens paternas dessa população veio da Europa, mais especificamente de Portugal. Já no início do século XIX, o imigrante português transitava por entre as mulheres lusitanas e brasileiras, por entre as livres e alforriadas, e por entre as brancas, pardas e negras, mas de modo mais regrado do que comumente se imagina. O facto de, ao desembarcar no Brasil, defrontar-se com uma base populacional maior e mais plenamente assentada do que em épocas anteriores permitia-lhe por em prática critérios de selectividade que exploram o limite da disponibilidade matrimonial feminina - buscava portuguesas até onde estas lhe fossem disponíveis, partia para as brasileiras brancas descendentes de imigrantes lusos recentes, e, por fim, para as brasileiras brancas de longínqua ascendência lusitana.

Não se furtava a relacionar-se com mulheres de cor, com escravas e forras. Com algumas delas casava-se, com outras simplesmente se juntava. É lógico supor, além disso, que a abertura marital do homem português o tornava pai dos filhos de algumas mulheres alforriadas que compareciam à igreja sem cônjuge decarado. Em qualquer circunstância se tratava de um encontro único este entre a manumissa e o português forçado a abrir-se em função da exiguidade de parceiras ao seu gosto. Tratava-se da mestiçagem em sua expressão mais contundente, pois, prisioneira de suas próprias idiossincrasias. "

De facto a afirmação dos autores acima mencionados é totalmente verdadeira. Estive a analisar uma longa linhagem de ancestrais picarotos e escolhi, por acaso, um casal de antepassados que durante séculos gerou uma imensa descendência. Dentre eles muitos permaneceram na Ilha do Pico, vários imigraram para o Brasil e outros para os EUA.

No caso daqueles que partiram para os Estados Unidos noto que nas duas primeiras gerações mantiveram-se dentro da colónia açoriana onde se estabeleceram . Como no século XIX ainda era proibido os casamentos interraciais a maioria dos filhos e netos dos imigrantes picoenses nascidos na América casaram-se com cidadãos americanos de origem europeia ainda que não fossem de ascendência portuguesa ou , mais precisamente açoriana. A realidade brasileira manteve o padrão de endogamia marital.

Vejamos o exemplo concreto ;

Ascenso Gomes e Bárbara Cardoso eram naturais de São Roque do Pico onde casaram em meados do século XVI .

Sua filha Violante Gomes casou-se com António Rodrigues e tiveram um filho;

Fernão Rodrigues casado com Maria da Fonte em São Roque do Pico, no dia 31 de Setembro de 1624. Um dos filhos foi;

António Rodrigues Vicente que casou em 1657 com Maria Luís. Dentre os filhos do casal temos;

Bartolomeu Luís, casado com Ana Rodrigues, na vila da Madalena, pais de ;

Fernando Rodrigues, marido de Domingas Rodrigues e pais de ;

Manuel Rodrigues Costa casado no dia 14 de Janeiro de 1726, na Madalena, com Maria Gonçalves. Tiveram;

Maria Jacinta Clara , casada com António Jorge Alvernaz, também na Madalena, no dia 27 de Novembro de 1745. Pais de;

Francisco Jorge Segundo ( tiveram dois filhos com o mesmo nome) , casado com Maria Faria, no dia 5 de Novembro de 1786.

Um dos filhos de Francisco e Maria, o José da Rosa da Silveira, nascido na Madalena imigrou para o Brasil e casou-se, no Rio de Janeiro, com Amélia Clara Lopes.

A Amélia era brasileira, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 25 de Abril de 1864. Seu pai, António Lopes era natural da freguesia de Fonte Arcada, no Porto, filho de António Lopes e Emília Moreira. A sua mãe, Elisa Clara era natural de Biscoitos, na ilha do Pico, filha de Francisco da Rosa e de Maria de Jesus.

Calculo que o José da Rosa Silveira fosse sobrinho ou primo do seu sogro Francisco da Rosa.

Francisco da Rosa era comerciante no Brasil e era prática comum convidar um parente próximo para casar com uma filha e manter o negócio na família.

José da Rosa da Silveira e Amélia Clara tiveram apenas seis filhos :

Paulina Lopes, nascida no dia 9 de Setembro de 1873.

Amélia Lopes, sem filhos.

Margarida da Silveira, de 1891.

Albino da Rosa da Silveira, nascido no dia 5 de Fevereiro de 1888 que casou com Amélia Luísa de Faria no dia 14 de Setembro de 1907. Amélia Luísa era brasileira, filha de pais portugueses, José Luís de Faria Filho e Maria Luísa de Faria.

Júlia Clara Lopes que casou-se no Rio de Janeiro no dia 25 de Agosto de 1898 , aos 27 anos com Manuel Meleiro Domingues, imigrante espanhol de 32 anos, filho de Marcos Meleiro e Isabel Domingues ( ambos galegos ) e por fim;

João Rosa da Silveira ( 1897 / 23 de Janeiro de 1964 ) que morreu solteiro e sem filhos. Quando o João Rosa nasceu o pai era já falecido e a Amélia Clara não voltou a casar-se.

Viviam,segundo os documentos na Rua do Rezende, número 109.

Possivelmente temos primos por lá...

 Na imagem ( foto minha ) vestido de noiva minhota do início do século XX, no Museu do Traje de Viana do Castelo.

 

 


 

Fonte: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid02RtggougZJUXFkcrkeeo7B5u5FwtNB5CLnCAc7dfZqHYmmzi3ScgrQqhpDs2HYKarl&id=100063523690575&sfnsn=wiwspwa&mibextid=2JQ9oc

 

terça-feira, 31 de outubro de 2023

 APELIDOS PORTUGUESES 


Esta é uma lista dos 97 apelidos mais frequentes em Portugal segundo a Sociedade Portuguesa de Informação Económica.

 Ordem Apelido Frequência percentual Frequência (em milhares)

1 Silva 9,44% 999

2 Santos 5,96% 628

3 Ferreira 5,25% 553

4 Pereira 4,88% 514

5 Oliveira 3,71% 391

6 Costa 3,68% 387

7 Rodrigues 3,57% 376

8 Martins 3,23% 340

9 Jesus 2,99% 315

10 Sousa 2,95% 311

11 Fernandes 2,82% 297

12 Gonçalves 2,76% 291

13 Gomes 2,57% 271

14 Lopes 2,52% 265

15 Marques 2,51% 265

16 Alves 2,37% 250

17 Almeida 2,27% 239

18 Ribeiro 2,27% 239

19 Pinto 2,09% 220

20 Carvalho 1,97% 208

21 Teixeira 1,69% 178

22 Moreira 1,54% 162

23 Correia 1,53% 161

24 Mendes 1,39% 146

25 Nunes 1,32% 139

26 Soares 1,28% 135

27 Vieira 1,2% 127

28 Monteiro 1,11% 117

29 Cardoso 1,07% 113

30 Rocha 1,04% 110

31 Raposo 0,97 % 106

32 Neves 0,98% 103

33 Coelho 0,97% 102

34 Cruz 0,94% 99

35 Cunha 0,93% 98

36 Pires 0,92% 97

37 Ramos 0,86% 91

38 Reis 0,85% 90

39 Simões 0,85% 90

40 Antunes 0,82% 86

41 Matos 0,82% 86

42 Fonseca 0,81% 86

43 Machado 0,76% 80

44 Araújo 0,69% 73

45 Barbosa 0,69% 72

46 Tavares 0,67% 71

47 Lourenço 0,65% 68

48 Castro 0,62% 66

49 Figueiredo 0,62% 65

50 Azevedo 0,60% 64

51 Freitas 0,60% 63

52 Magalhães 0,58% 61

53 Henriques 0,56% 59

54 Lima 0,54% 57

55 Guerreiro 0,51% 54

56 Batista 0,51% 53

57 Pinheiro 0,49% 51

58 Faria 0,47% 50

59 Miranda 0,47% 50

60 Barros 0,46% 49

61 Morais 0,46% 49

62 Nogueira 0,46% 49

63 Esteves 0,45% 47

64 Anjos 0,43% 45

65 Baptista 0,43% 45

66 Campos 0,43% 45

67 Mota 0,43% 45

68 Andrade 0,41% 43

69 Brito 0,40% 42

70 Sá 0,40% 42

71 Nascimento 0,39% 41

72 Leite 0,38% 40

73 Abreu 0,36% 38

74 Borges 0,36% 38

75 Melo 0,34% 36

76 Vaz 0,34% 36

77 Pinho 0,33% 35

78 Vicente 0,33% 35

79 Gaspar 0,33% 34

80 Assunção 0,32% 34

81 Maia 0,32% 34

82 Moura 0,32% 34

83 Valente 0,32% 34

84 Domingues 0,32% 33

85 Garcia 0,32% 33

86 Carneiro 0,31% 33

87 Loureiro 0,30% 32

88 Neto 0,30% 32

89 Amaral 0,30% 31

90 Branco 0,29% 31

91 Leal 0,26% 28

92 Pacheco 0,26% 27

93 Macedo 0,25% 26

94 Paiva 0,25% 26

95 Matias 0,24% 26

96 Amorim 0,24% 25

97 Torres 0,24% 25


         Segundo Gilberto de Abreu Sodré Carvalho; " Quanto aos sobrenomes tomados por pessoas comuns do povo, nada ou pouco é tratado na literatura especializada...A tomada de sobrenomes era livre. Os Fidalgos não se sentiam diminuídos ou prejudicados pela assunção, por populares, de seus apelidos.

Aparentemente, a força do prestígio do nobre estava na comprovação inconteste da sua estirpe ou linhagem, e não no sobrenome. De início, ao que parece, a adoção do sobrenome prestigioso se dá pelas pessoas da criadagem, da família extensa ou de algum modo dependentes ou relacionadas a uma Casa Nobre."

Em Portugal, há oscilações mas são sempre os Silvas, os Santos e os Pereiras os apelidos mais

comuns. Os apelidos que se impunham na cidade de Lisboa estavam também nas listas de mais frequentes das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil. Silva (20.882.120), Santos (13.433.982) e Sousa/Souza (9.810.832) ocupam os três primeiros lugares da tabela. Pereira, o terceiro mais comum em Portugal, surge em quinto lugar (5.892.937). Fruto natural da colonização, mais de 500 anos depois da independência do país, ainda se mantém. É a prova do conservadorismo dos apelidos, cuja tendência se mantém desde o Renascimento e se têm mantido de geração em geração. É algo que muda lentamente.

Até à Idade Média, as pessoas eram apenas conhecidas pelo nome próprio. O povo, em especial o que morava nas zonas urbanas, só tem direito a tal depois do século XVI. É altura em que se vão buscar as referências mais óbvias, como o nome da terra ou de elementos da natureza (topónimos); o nome próprio do pai (patronímia); os epítetos, alcunhas e profissões; e à religião. Nascem, então, os Silvas, dos campos de silvas, os Ferreiras, de um lugar ferroso, os Costas, devido à localização geográfica. Dos nomes dos pais veem os Henriques, filhos de Henrique, os Fernandes, filhos de Fernando, os Mendonças, filhos de Mendo, os Enes, filhos de João. Às profissões vão buscar o Ferreiro, o Ferrador, ou Tecedeiro.

Estas origens podem extrapolar, pelo menos, para o resto do continente europeu. Smith tem origem naquele que trabalhava o metal, Martin significa o filho de Martinus, assim como Johansson e Hansen, filhos de Johann e de Hans. Já os Tremblya canadianos provêm de Pierre Tremblay, um dos primeiros colonos franceses que se estima terem deixado 150 mil descendentes. Em cada apelido, séculos de história. Um nome tipicamente pertencente à onomástica da língua portuguesa é composto por um ou dois prenomes, um nome próprio, ou nome de baptismo e dois Apelidos ou Nomes de família. Sendo que o último apelido geralmente é o paterno; e o primeiro é o materno, embora essa não seja uma regra geral oficial, mas sim uma questão de costume usual. Esta ordem é inversa ao dos apelidos dos países de língua espanhola. Por questão de costume, geralmente apenas o último apelido é utilizado em cumprimentos formais ou na indexação de artigos científicos, mas numa lista de nomes, o primeiro nome próprio, e não o apelido é usado para a classificação em ordem alfabética.

Mulheres casadas podem acrescentar o sobrenome do marido no fim do seu próprio nome, ou optar por excluir seu sobrenome de família passando a assinar com apenas o sobrenome do marido, mas tal praxe

não é obrigatória. O mesmo pode acontecer com os homens, embora isso seja extremamente raro. Geralmente é a esposa quem assume os apelidos de família do marido. Esta "tradição" varia enormemente de acordo com a época e o lugar onde residem os noivos. O nome da esposa antes do casamento é chamado de nome de solteira e após o matrimónio nome de casada. A mudança de nome é um outro fator que provoca o abandono do nome de baptismo, sendo - contudo - muito menos comum. Tanto no Brasil como em Portugal a mudança (ou troca) de nomes e sobrenomes (apelidos de família) é muito complexa e somente em casos raros e bem fundamentados é permitida pela Justiça hoje em dia, pois antigamente a mulher retirava o sobrenome do pai ou da mãe e colocava o do marido, e ficava com o nome de baptismo e um sobrenome do marido.

Desde 1977 (Portugal) e 2012 (Brasil), o marido também pode adoptar o apelido da esposa. Quando isso acontece, geralmente ambos os cônjuges mudam de sobrenome após o casamento. O costume de uma mulher mudando seu nome após o casamento é recente. Espalhou-se no final do Século XIX nas classes superiores, sob a influência francesa, e, no Século XX, especialmente durante os anos 1930 e 1940, tornou-se socialmente quase obrigatório. Até o final do Século XIX e meados do Século XX, era comum que as mulheres, especialmente as de famílias muito pobres, não receberem o apelido do pai e assim serem conhecidas apenas pelo seu nome próprio. Geralmente recebiam como sobrenome um nome genérico ou devocional como Maria de Jesus, Maria das Graças, Maria da Conceição, Maria do Rosário, Maria Auxiliadora, Maria de Assunção ou Rosa de Jesus. Ela, então, adoptava o apelido completo de seu marido depois do casamento.

No Mundo de língua portuguesa é comum haver pessoas com até quatro apelidos, sobrenomes, ou mais (dois de cada progenitor), ou até mesmo famílias que por questão de simplicidade optaram por utilizar apenas um sobrenome único como nome de família, fazendo o uso de um nome composto (ver: nome do meio), na ordem do nome completo.

A maioria dos apelidos portugueses têm origem patronímica, toponímica ou religiosa. Para melhor perceber recorro à Wikipédia.

Os patronímicos são nomes derivados do nome próprio do pai ou de algum ascendente masculino que, há muitos séculos atrás, começou a ser utilizado como apelido. São os mais comuns nos locais onde o português é falado. Apelidos como Henriques, Rodrigues, Lopes, Gomes, Nunes, Mendes, Fernandes, Gonçalves, Esteves, Peres, Simões e Álvares, onde a terminação - es significa "filho de". O significado é o mesmo do sufixo - ez utilizado na língua castelhana.

Alguns sobrenomes patronímicos não terminam em es. Ao invés disso, terminam em iz, como Muniz (filho de Monio) e Ruiz (filho de Ruy), ou ins, como Martins (filho de Martim).

Embora a maioria dos sobrenomes portugueses terminados em - es sejam patronímicos, alguns nomes de família terminados em es não são patronímicos, mas toponímicos, como Tavares, Cortês, Guimarães e Chaves.

Alguns patronímicos antigos não são facilmente reconhecidos, por duas razões principais. Às vezes, o nome próprio que originou o patronímico tornou-se antiquado, como Lopo (que originou Lopes), Mendo ou Mem (Mendes), Vasco (Vasques), Soeiro (Soares), Munio (Muniz), Sancho (filho de Sanches). Além disso, muitas vezes os nomes dados ou os patronímicos relacionados modificaram-se através dos séculos, embora sempre possa ser notada algumas semelhanças – como Antunes (filho de Antão, ou Antônio), Peres (filho de Pero, forma arcaica de Pedro), Alves (de Álvares, filho de Álvaro) e Eanes (do medieval Iohannes, filho de João).

Um número considerável de sobrenomes é de origem toponímica, supostamente para descrever a origem geográfica de um indivíduo, como o nome de uma aldeia, vila, cidade, região ou rio. Encaixam-se nessa regra sobrenomes como Almeida, Andrada ou Andrade, Barcelos, Barros, Bastos, Castelo Branco, Belmonte (de Belmonte) Cintra (de Sintra), Coimbra, Faria, Gouveia, Guimarães, Lima (nome de um rio, não a fruta), Lisboa, Pacheco (da vila de Pacheca), Porto, Portugal, Brasil, Serpa etc.

Alguns nomes especificam a localização da casa de uma família dentro de uma aldeia: Fonte (junto à fonte), Azenha (pela azenha, moinho d’água), Eira (pelo eira), Fundo (parte mais baixa da vila), Cimo/Cima (na parte superior da cidade), Cabo (na extremidade da aldeia), Cabral (próximo ao campo onde as cabras pastam). Em alguns casos, o nome de família pode não ser toponímico, mas uma indicação de posse.

Alguns termos geológicos ou geográficos também foram utilizados na nomeação, como Pedroso (pedregoso ou cheios de terra), Rocha, Souza/Sousa (do latim saxa, um lugar com seixos, ou o nome de um rio português), Vale, Ribeiro (pequeno rio, córrego, riacho), Siqueira ou Sequeira (terra não irrigada), Castro (castelo ou ruínas de construções antigas), Dantas (de d'Antas, um local com antas, ou seja, monumentos de pedra pré-históricos ou dólmens), Costa (litoral), Pedreira, Barreira (pedreira de argila). Ferreira é um sobrenome toponímico, utilizado pela primeira vez por pessoas que viveram em muitas cidades e aldeias chamadas Ferreira, ou seja, um lugar onde era possível encontrar minério de ferro. Nomes de árvores e plantações também são nomes toponímicos, supostos inicialmente para identificar um ancestral que viveu perto ou dentro de alguma fazenda, pomar ou um local com um tipo característico de vegetação. Sobrenomes como Silveira (local coberto por silvas), Matos (bosques, florestas), Campos (campos de relva, pradarias),, Queirós (um tipo de erva), Cardoso (local coberto por cardos, ou seja, alcachofra-brava ou espinhos), Correia (local coberto por corriolas ou correas, um tipo de planta), Macedo (um jardim de macieiras) e Azevedo (uma floresta de azevinho, ou seja, madeira de azevinho) encaixam-se neste padrão.

Nomes de árvores são sobrenomes toponímicos bastante comuns: Oliveira, Carvalho, Lima, Salgueiro, Pinheiro, Pereira, Moreira (de amoreira), Macieira, Figueira. Estes nem sempre são apelidos judaico- portugueses antigos. Aliás, essa teoria já está ultrapassada. Os judeus portugueses que viveram em Portugal até 1497 tinham nomes próprios que poderiam distingui-los da população cristã. A maioria desses nomes são traduções em português dos antigos nomes semíticos (árabe, hebraico, aramaico) como Abenazo, Abencobra, Aboab, Abravanel, Albarrux, Azenha, Benafull, Benafaçom, Benazo, Caçez, Cachado, Çaçom/Saçom, Carraf, Carilho, Cide/Cid, Çoleima, Faquim, Faracho, Faravom, Fayham/Fayam, Focem, Çacam/Sacam, Famiz, Gadim, Gedelha, Labymda, Latam/Latão, Loquem, Lozora, Maalom, Maçon, Maconde, Mocatel, Molaão, Montam, Motaal, Rondim, Rosall, Samaia/Çamaya, Sanamel, Saraya, Tarraz, Tavy/Tovy, Toby, Varmar, Zaaboca, Zabocas, Zaquim, Zaquem, Zarco. Alguns nomes são toponímicos, como Catelaão/Catalão, Castelão/Castelhão (castelhano), Crescente (da Turquia), Medina, Romano, Romão, Romeiro, Tolledam/Toledano (de Toledo), Valencia e Vascos (Basco). Alguns eram patronímicos de nomes bíblicos, como Abraão, Lázaro, Barnabé, Benjamim, Gabriel, Muça (Moisés) e Natam (Natã). Alguns são nomes oriundos de profissões, como Caldeirão, Martelo, Peixeiro, Chaveirol (serralheiro) e Prateiro (ourives). Alguns são apelidos, como Calvo (careca), Dourado (ouro, como o alemão Goldfarb), Ruivo (cabeça vermelha), Crespo, Querido e Parente (parente da família). Poucos nomes não são diferentes dos antigos sobrenomes portugueses, como Camarinha, Castro, Crespim etc.

Outro nome de família geralmente apontado como indicador de ascendência judaica é o Espírito Santo. Sobrenomes com significados religiosos são comuns. É possível que alguns destes originaram-se de um ancestral que se converteu ao catolicismo e necessitou mostrar a sua nova fé. Outra possível origem para os nomes religiosos era de que órfãos foram abandonados em igrejas e criados em orfanatos católicos por padres e freiras, geralmente baptizados com um nome relacionado à data mais próxima do dia que eles foram encontrados ou baptizados. Outra fonte possível é de nomes próprios religiosos (que mostram devoção especial por parte dos pais ou dos padrinhos, ou a data de nascimento da criança) foram adoptados como nomes de família, como Cruz, Chagas, Ramos, Pascoal, Nascimento, Visitação, Patrocínio, Santos etc.

Alguns sobrenomes são possíveis descrições de uma característica peculiar de um ancestral, originada a partir de uma alcunha. Estes incluem nomes como Peixoto ("peixe pequeno", dado a um nobre que utilizava peixes para enganar seus inimigos durante uma citação), Peixe (o nadador, ou também pescador ), Veloso (lanoso, de lã, ou seja, peludo), Ramalho (cheio de galhos de árvores; espesso, ou seja, barba espessa ), Barroso (coberto de barro, ou seja, espinhas), Forte, Lobo (ou seja, selvagem, feroz), Lobato (lobo pequeno, filhote de lobo), Raposo (raposa, ou seja, inteligente), Pinto (pintainho, ou seja gentil e bondoso), Tourinho (touro pequeno, ou seja, robusto, forte), Vergueiro (que se dobra, ou seja, fraco), Medrado (crescido, ou seja, alto), Tinoco (curto, pequeno), Porciúncula (pequena parte, um pedaço pequeno), Magro, Magriço (muito magro), Gago, Galhardo (galante, cavalheiro), Terrível, Penteado (apelido de uma linhagem da família alemã Werneck, cujos membros usavam perucas), Romero (de romeiro, peregrino, ou seja, alguém que fez uma viagem religiosa para Roma, Santiago de Compostela ou Jerusalém).

São poucos os apelidos portugueses que se originaram de profissões ou ocupações, como Serrador, Monteiro (caçador de montes ou guarda-madeira), Guerreiro, Caldeira (de caldeirão, por exemplo), Cubas (barris de madeira, ou seja, fabricantes de barris e tanoeiros), Carneiro (para um pastor), Peixe (para um pescador ou dono de peixaria). Um erro comum é dizer que o apelido Ferreira significa ferreiro, uma vez que existem apelidos similares em muitas línguas com este significado (Smith em inglês, Schmidt em alemão, Bittar em árabe, etc.). Ferreira é o nome de um rio e de muitas aldeias e vilas de Portugal.

 A maioria dos nomes estrangeiros em Portugal é espanhola, como Toledo (uma cidade da Espanha), Ávila ou Dávila (cidade da Espanha), Camargo, Castilhos, Vargas, Garcia, Torres e Padilha. Outros nomes "estrangeiros" comuns são Bettencourt ou Bittencourt (de Béthencourt, francês, família francesa radicada nos Açores e mais tarde também no Brasil), Goulart (Van Govaert, flamengo, família flamenga, radicada nos Açores e mais tarde também no Brasil, tendo a grafia afrancesada para Goulart), Goulard ou Gullar (francês, significando originalmente glutão), da Rosa (Van der Roos ou De Rouzé, flamengo, família flamenga descendente do colonizador flamengo Pieter Van der Roos que passou a ser Pedro da Rosa nos Açores e que se radicou nos Açores e mais tarde no Brasil, outro ramo provem do colonizador Guillaume De Rouzé nascido em Arras) da Silveira (Van der Haegen, flamengo, família flamenga que se radicou nos Açores e mais tarde no Brasil, proveniente do colonizador Willehm Van der Haegen, passando a ser Guilherme da Silveira nos Açores) Fontenele ou Fontenelle (francês, de fonte), Rubim (de Robin, francês), Alencastro, Lencastre (de Lancaster, inglês), Drummond (escocês), Werneck, Vernek ou Berneque (sul da Alemanha; nome da cidade bávara de Werneck), Bingre (do germânico Huebinger), Brandão (do germânico Brand), Wanderley (de van der Ley, flamengo), Dutra (de Ultra, um nome latino que significa "do além", adoptado pela família flamenga Van Hurtere), Brum (de Bruyn, flamengo), Bulcão (de Bulcamp, flamengo), Dulmo (de van Olm, flamengo), Espíndola (Spinolla, italiano, família radicada nos Açores e depois no Brasil) Acioli (italiano), Doria (italiano), Cavalcanti (italiano), Motta (italiano), Netto (italiano; não confundir com o sufixo "Neto", que é utilizado para distinguir neto e avô que possuem o mesmo nome), Peçanha ou Pessanha (italiano, família descendente do navegador genovês Emanuele Pessagno).

Na foto vemos o meu bisavô Guilherme Cândido Pinheiro, ainda jovem, magro e com uma farta cabeleira.

Pesquisei e documentei toda a sua Genealogia que passa por Melgaço mas cuja origem seria em Amares. O primeiro ascendente do Guilherme , um certo Pedro Pinheiro, nascido em São Martinho, Amares , em 1565 e durante cinco séculos a família manteve o apelido Pinheiro sem uma única interrupção ou alteração até o mais jovem membro, meu filho, curiosamente também chamado Pedro Pinheiro, embora nascido em 1994.

 

Fonte: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid0a8oDkmTczBY8KxTDTJhgGFr4wkMvzLLwZEXVD2Ukz6eLQ6k4CJcuiebpATc7X8hnl&id=100063523690575&sfnsn=wiwspwa&mibextid=I6gGtw

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

 Como surgiram as capelas


    O homem se revelou ser o próprio Jesus. Pedaços dessa capa, tocados por Jesus, foram levados para pequenos espaços construídos especialmente para abrigá-los. Surgiam as capelas. A palavra "capela", vem do latim, pequena capa, manto pequeno.


Pater Noster, qui es in cælis, sanctificétur nomen tuum. Advéniat regnum tuum. Fiat volúntas tua, sicut in cælo et in terra.










BRASIL 

 
 
 
Fonte: https://fb.watch/nTqpFfMiKh/?mibextid=UVffzb


segunda-feira, 16 de outubro de 2023

 

Conselheiro Lafaiete

 

Localização: Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte

Área: 369,544 km²

Distância da Capital: 96 km

 

Datas

(Inclua datas históricas relacionadas ao município, como data de fundação, emancipação política, etc.)

Antigas Denominações

(Inclua antigos nomes que o município tenha tido.)

Arraial de Carijós, Carijós, Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós e Queluz

 

Municípios Circunvizinhos

Norte: Congonhas e Ouro Branco

Leste: Itaverava e Santana dos Montes

Sul: Cristiano Otoni

Oeste: Queluzito e São Brás do Suaçuí

Localidades

(Inclua sublocalidades do município que sejam significativas, tais como povoados, fazendas, estâncias, etc.)

 

História

(Inclua um breve resumo histórico sobre o município, destacando os fatos que se relacionem ou que facilitem de alguma forma a pesquisa genealógica na localidade.)

A primeira notícia que se tem da história de Conselheiro Lafaiete é por volta de 1683, dada pela bandeira de Garcia Rodrigues, que fala no arraial de garimpeiros e índios chamados Carijós.

Esses carijós, pertencentes ao grupo lingüístico tupi-guarani, tinham vindo do litoral fluminense, fugindo às hostilidades de outras tribos e às maldades dos caçadores de escravos.

De acordo com o arqueólogo Dr. José Vicente César, esses índios já tinham sido catequizados.

Foram feitas plantações, levantaram-se choças e a vida decorria tranqüila até que, na última década do século XVII, começou a corrida em busca de riquezas nas minas auríferas da região. O arraial de Carijós era a passagem obrigatória para Itaverava, Guarapiranga, Mariana e Catas Altas. Tornou-se pouso para os viajantes e entreposto de mercadorias.

Em 1694, a grande bandeira paulista de Manuel Camargo, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Miguel Garcia de Almeida Cunha e João Lopes de Camargo oficializou a existência do arraial, que teve, então, um grande desenvolvimento.

 

Por essa época teria sido erigida uma capela ou igreja de pau-a-pique, dedicada ao culto da Imaculada Conceição, provavelmente onde hoje é a Praça Nossa Senhora do Carmo, de acordo com o que se deduz da Carta de Sesmaria concedida a Jerônimo Pimentel Salgado que, juntamente com Amaro Ribeiro, tiveram reconhecidas as posses de várias léguas de terra em 1711.

Em 1711, chegou a Carijós o Caminho Novo, que encurtava o tempo de viagem entre o Rio de Janeiro e as minas.

Quando o ouro diminuiu e a cobrança dos quintos sobrecarregou a população, houve um grande clima de descontentamento, sendo forte em Carijós o movimento da Inconfidência.

Em 1872 foi criada a Comarca de Queluz. O nome Conselheiro Lafaiete passou a vigorar a partir de 1934, em homenagem ao Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, quando se comemorava o centenário de seu nascimento.

 

Formação Administrativa

Distrito criado, com a denominação de Queluz, por ordem régia ou Alvará de 1752 e Lei Estadual de 14-09-1891.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Queluz, por Alvará de 1791, sendo desmembrado de São João Del Rei.

Pela Lei Provincial n.º 184, de 03-04-1840, e Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Catas Altas da Noruega e anexado à vila de Queluz.

Pela Lei Provincial n.º 767, de 02-05-1856, e Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Capela Nova das Dores e anexado à vila de Queluz.

Pela Lei Provincial n.º 907, de 08-06-1858, e Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Santo Amaro e anexado à vila de Queluz.

 

Fonte: FamilySearch